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Racismo aqui e acolá, na escola Waldorf não vamos mais ficar ...

ALEGORIAS MANIFESTANTES — Posted by mandinga @ 07:04

Saravá, minha gente !

             Hoje participamos da palestra Fundamentos e Aplicações da Pedagogia Waldorf, na Escola Moara, aqui em Brasília. Não nos surpreendemos em, mais uma vez, não obtermos uma resposta que escape do plano metafísico sobre mecanismos disciplinares utilizados pelas professoras e os castigos aos quais nosso filho é submetido na escola, muitos destes sequer somos informados.Bem como, mais uma vez, nos foi dada uma resposta metafísica sobre o fato de muitas crianças não terem lugar de fala garantido no cotidiano escolar, quando relatam, por exemplo, o desagrado com o corpo docente, ou a rotina escolar.

             Agora o que mais nos surpreendeu, na ocasião, foi a absoluta ausência de ações para  implementação da lei 11.645/08 na perspectiva pedagógica da Moara (a referida Lei  prevê a inclusão de conteúdo afrobrasileiro  e indígena nos currículos escolares) . Tal fato, confirmou  conjunto de ações que presenciamos em prol da  omissão e  censura  na  criação de um processo  coletivo  que aborde este tema. O que significa uma irresponsabilidade da comunidade escolar,para com a luta contra o racismo.

              Camuflada  no tecido social ao qual se insere a comunidade da Moara, a prática  do racismo, sempre foi para  nossa família uma das formas mais cruéis de humilhação  da existência humana. E  a luta para que esta forma de violência, na maioria das vezes sutil e imperceptível, não se perpetue em nossa sociedade é prática cotidiana em nossas  vidas. Portanto, esta Lei pela qual lutamos é de fundamental importância tanto para nossa família, quanto para sociedade que buscamos construir.   

               Antes de entrarmos na escola, já sabíamos do fato das crianças, até certa idade , não utilizarem preto enquanto desenham, pois o Preto é a ausência de cor na perspectiva antroposófica. Mesmo assim, resolvemos fazer parte da comunidade Moara, depois de insistirmos que  a depreciação da diversidade racial e cultural brasileira é incabível em nosso cotidiano e de ter –nos sido garantido o respeito a nossa prática de vida muito ligada as nossas  raízes afrobrasileiras e indígenas, a qual nos orgulhamos muito.

               Em 2007,  tomamos conhecimento de que em uma outra palestra uma professora afirmou que não havia conteúdo indígena porque na Moara eles só ensinavam conteúdo de povos evoluídos. O fato  nos indignou, tamanha a  demonstração de ignorância para com as centenas de povos que formam  o povo brasileiro. E muitos dos quais vivenciaram na prática  valores matriarcais, horizontais e de autogestão.

               Valores estes que são transformados em conceitos e alienados dentro da Escola Moara, que por exemplo, prega o consenso em suas instâncias, mas esquece que o mesmo deve ser construído e não imposto. Justamente, neste ponto é que a Escola é  um simulacro: ao negar o contexto social ao qual se insere e dissimular sobre seus reais desafios para com sua comunidade. Pois, todo processo comunitário  requer construção e sem comunicação e responsabilidade para o bem comum, pouco se constrói.

                  Hoje, infelizmente, presenciamos mais um episódio nesse sentido na Escola Moara. Não bastasse ser um episódio racista, portanto criminoso, foi também mais uma oportunidade de garantir a fala de quem já tem o lugar de fala garantido (reforçando autoritarismo) e de claro simulacro de prática dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade tão citados pela tal filosofia antroposófica.Pois, acompanhamos recentemente, em nossa turma, a saída cruel de dois meninos, por falta exatamente de mais fraternidade, igualdade e liberdade na referida comunidade. Após a explanação das palestrantes, quando fiz perguntas objetivas sobre o cotidiano escolar, tais como as medidas disciplinares aplicadas, o lugar de fala das crianças e a implementação da Lei 11.645,  fui em um tom de voz arrogante, convidada a mudar para a pedagogia construtivista, pelo Dr. Paulo Tavares.

                    Como naquela manhã de sábado resolvi me dedicar a entender a pedagogia Waldorf insisti em  construir um espaço qualificado de debate sobre a tal perspectiva que nossa família estava inserida e ajudando a dar vida.Reforcei que não estava ali para debater o construtivismo e sim a pedagogia Waldorf. Quando questionei sobre o ensino do conteúdo afrobrasileiro e indígena na escola (que reforçamos, não é uma opção da Moara,mas sim,uma Lei, um dever, uma obrigação) nos foi dada a seguinte resposta pela professora palestrante :

                  "No primeiro ano contamos apenas contos de fadas, no segundo ano contamos historinhas sobre passar a perna no outro, estas coisas mais maliciosas..., no terceiro ano começamos com as histórias dos bichos, no quarto introduzimos  as histórias dos monstros e a partir do quinto ano é que contamos as histórias dos negros "

                 Fiquei bastante intrigada com esta escala de valores.E recebi a seguinte resposta: é que até esta fase a criança só pode receber o que é Belo. Ou seja, mais uma vez, a depreciação à cultura indígena e afrobrasileira é socialmente difundida e reforçada na escola. Pois, toda infinita diversidade e possibilidade de conteúdo da nossa cultura é considerada desprovida de beleza  compatível com  a praticada na Escola Moara. (Aqui cabe um parêntese, não falaremos da pedagogia Waldorf, mas da experiência prática que vivenciamos)

                  Portanto, gostaríamos de reforçar que racismo é crime. E  não compactuamos, com o fato de em 2008, estes resquícios da subjetividade paternalista colonizadora européia que - subjulga a beleza e força da nossa raiz racial e cultural - estarem vivos e legitimados, disfarçados de proposta pedagógica.

                    Em determinada parte do debate fomos surpreendidos  com mais uma frase do Dr. Paulo Tavres: “é por isso que essa pedagogia não é pra vocês”. Finalmente um consenso, ainda que imposto, e portanto ilegítimo. Nos desligamos da escola Moara com São Benedito em nossos corações.E  na responsabilidade de impedir que este tipo de prática se perpetue disfarçada de pedagogia alternativa. Aliás, justificativas metafísicas para garantirem práticas racista no contexto escolar, me remetem ao tempo em que os povos africanos e indígenas eram escravizados perante a justificativa de que esta seria a salvação de suas almas...

                Enfim, muitas questões para refletirmos e nos posicionarmos.

Aquele abraço,

Juliana, Bruno e João Pedro

 


Vai me calar ? Eu arredo minha antena !

ALEGORIAS MANIFESTANTES — Posted by mandinga @ 21:36

 

Transcantos da mandinga ao parceiro dragão. Ou, o dia em que eu e a Radiola FM resistimos aos representantes dos capitalismos uniceubianos e nossa liberdade de consentida, passou a conquistada!

 


Dia 23 de abril, dia de mandinga ! Festa na Terra pro guerreiro vencedor das demandas. Era ele em sintonia, era meu mano, meu santo, mano era eu. Uma chamada: ouvinte e programadora saravando ! Os ventos sopraram, vieram me avisar: "abri os ói, buraco véi tem cobra dentro". Mas se cobra me morde meu veneno é mais forte... tenho sete espadas pra me defender. Cada um dos meus 250 mil óvulos, a grande célula, feitos antes d'eu nascer, são liberados de tempos em tempos: uma força !

Me arrefiz de minha história. Geri e pari em 102,7 FM.É um sentido de pertencimento a este mundo e constelações de vozes desde o ventre. Me fiz Radiola, nuns cantos livres ! Mas diziam de três saúvas que eu tomasse temência: ANATEL (cruzes ! nomão abestalhado véi !), POLICIA FEDERAL (égua ! palavrão fei da peste)e a Reitoria (urgh ! troço peçonhento da gota).
Por isso, sempre preparava umas esquivas e queimava vez em quando umas brasinha, que era pra ver se mantinha as pragas acolá. E assim era noite de encantos na mesa operando, e era formosa de carne-e-osso, na roda dos planos de manas toda virada da lua. Era de dentro, era de fora: voluntária!
 
E no plural um varal: cada célula um programa, uma história. Um causo - causa: meu coração pulsa sem $ifrão.Vieram me chamar pra roda, eu saindo de Aruanda me acomodei livremente e segura. Mas logo percebi uma sarninha. É que eu tinha um parceiro, daqueles que troca as cousas. Trocava P2 por RCA e eu alertando : isso não encaixa, isso silencia, isso é bestagem...Daí deu preguiça e assuntei o parceiro:ei, me deixe seguir livre ?
 
Eu tive que perguntar porque quanto mais o tempo passava , mais meu parceiro se punha a me usar. "É um trocado que eu careço de ganhar", ele entoava. "Se assossegue parceiro", eu tratava de acalmar: "desse mundo eu já pertenço e trocado quero negar !" Porque já era formosa livre de carne e osso ! E ele retrucava: "não sabes se organizar !" E assim o tempo passava nessa granguena !
 
Mesmo vindo ao mundo torta, eu já tinha asas pra voar. Sim ! Nasci da costela do meu parceiro, pra mó dele ganhar uns tostão, mas num demorô e minhas asas apontaram. E virei muitas, tantas vozes e donas, que meu parceiro resolveu me livrar. E assim deixou batizar: livre ! Ele consentia , me apropriei da ventania e me lancei nas ondas do ar !
 
De vez em quando, me alembrava das saúvas e meu parceiro a me espiar... Mas o mundo volta deu e o parceiro perdeu fé nas saúva e foi-se providenciar, porque daquela liberdade farturada começou a incomodar. Aí principiou a sarnar, disse pra eu falar o que ele queria. Eu lancei umas esquivas que guardava pras saúvas. Ele se enfesou e nomeou alguém pra me coordenar. Ai, ai, ai ! Isso era um derrame nas minhas transmissões, meu coração bate porque sou autogerida e autônoma !
Daí, tive que soltar uma esquiva bem certeira, porque essa do coordenador foi braba ! E o parceiro ficou bem parecido com saúva, um reprodutor delas ! Avisei que ia saltar de banda daquelas prosas e as máscaras do meu parceiro foram caindo. Era abobado e vazio, uma barreira pras minhas ondas. Foi aí que mandei: "sai pra lá com sua bocona de mandos e desmandos" !
 
E o $ifrão caiu na rede. E o parceiro-bicho-desmascarado se enfesou de vez !
Quis logo me rebatizar, mas eu já formosa-livre... então livre era ! E ele se enfurecera sem controle e aos sete ventos me excomungou. E eu ? Eu na Aruanda, saravando, preenchendo a existência, noutras conexão ! Meu parceiro veio na roda e trouxe dragão presidente (cruzes nomão feio !)e ainda trouxe dragão promoter (égua bicho cheio de $ifrão), e eram 3 de cada espécie.
 
E lá estava eu na demanda ! Minhas vozes e corações pulsavam no ventre. Era uma ciranda rádiogerida.Eu transmito ! Eu movo ! Eu inspiro ! E meu parceiro ? No apagão... aéreo. Arre, tô fora do apagão! No mesmo dia dessa roda, as saúvas tinham comprado umas páginas nos jornais pra dizer que o apagão vem da minha transmissão ! Diacho ! Quer bicho mais enganador que saúva com jornal ? Uma peste, mundo confuso...
 
Eu ? Veredas ! Apagão deixava pros $ifrão. Corria nos ventos, nas estradas, sintonias. Ah ! conquistei ! Conquista de frequência, num era mais consentida. E de liberdade meu seio jorrava e tinha era gente se lambusando e mamando, numa festa arretada de boa !Quer saber, acho que essa foi a causa-causo que fez meu parceiro levar os dragão pra roda !
E bichão presidente (arre!) cuspiu logo fogo: "se feche dessa liberdade, seu parceiro é dono que manda" ! Bichão promoter (vixe) deu outra cusparada medonha: "a sinhora está fora ! Está expulsa" ! Agora eu ali... vinda de aruanda, com parceiro e os dragões em nome do $ifrão, a me atacar !Abri logo o microfone: isso é golpe !!!
 
E espanta-mor-d'eu-compreender: num era golpe das saúvas não ! Era golpe do meu parceiro !! Tinha perdido a cabeça por causa do $ifrão ! Mas me calar ? Isso ele não ia não ! Resolvi falar a língua dos dragão (era voluntariamente vetado esse idioma em nossas rodas). Mas na hora que as máscaras do parceiro caíram, pensei que essa fosse a solução. Afinal, eles nunca iam nas rodas e não sabiam o radiolês.
 
Logo depois das cusparada dos dragão, eu disse pra um dos dragão presidente:" vai tomar no ..." - que traduzindo pro radiolês: larga mão de bestagem, aqui ninguém manda, é coletivo !Aí peguei o dragão promoter que vinha de lá com as brasas-gosmeira:"seu filho da ..." - que traduzindo pro radiolês: entra quem quiser entrar, vem moça e minino e tudo que quiser jogar !
 
Mas aí os dragão e o parceiro viraram um bichão maldoso ! E eu percebi que a língua dos dragão só fazia a roda virar coisa de promoter-presidente. Daí voltei pro radiolês. Aí o parceiro disse que nossa relação era uma caracu. Eu já ia achando aquilo de cerveja preta bonit..., quando ele começou a chicotear $ifrão, cartilha, linha.Eu bamba só sabia da ginga-curva e disse que na linha do parceiro eu não seguia.
E a coletiva na ativa vibrando. O parceiro gritou:"já tinham me avisado, quando saiste da costela que você ia me dar trabalho, minha inimiga !" Daí que os dragões danaram a soltar as labaredas: "tá expulsa, uma advertência pra danada, bora chamar a segurança pra bicha ..." Jacaré se queimou ? Nem eu !
 
O coletivo virou um escudo e cada voz amansava dragão e dragão foi mansando e ficando zonzo... e eu livrona ! Me dolori pra valer quando parceiro fez uma das vozes moça chorar com suas bestagens ! Aí ele disse que não me queria mais, e eu disse que por mim ele deveria era procurar outra estação, são tantas pra ele ganhar uns $ifrão ! Aí ele fechou a roda, supondo que eu voltasse de novo pra sala dele. Com medo das saúvas me pegar...
Mas eu tava danada de livre e as vozes que eram escudo e espada e coletivo disseram que essa causa-causo de linha e $ifrão era coisa de outra estação. Pois eu cada vez mais danada de livre pensei que parceiro machão é coisa de outra estação ! Sintonizei minha freqüencia e deixei fluir a operação... vou por umas luas ficar virtual.
Foi assim que subi no cavalo branco do santo-mano, vencendo os dragão ! E o parceiro quando tomou apreço da sala viu que eu era livre,livrona.Num era brinquedo dele não ! E as vozes, os coletivos, as autogestão tão paridos, amamentados e transmitindo em celebração !

BSB, 25 de abril de 2007

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