PASSAGEIRA
desconcerta
1:30 . Fez o corre. Percurso, por conta de fazer uma conexão entre transmissor e antena, num triz já era ansiedade. 50m de cabo. Passou dias e noites fantasiando o trajeto, coerência mente e coração, e agora já rodava. Não mais assistia, protagonizava.Fantasiar, fabular : momentos, pessoas, desejos – uma consciência tangente, de transmissora (ela subjetiva) e receptora (ela sujeita).
Imprevisibilidade de movimentos, desforra o enredo. Sabe, sabida do valor de cada estação, e naquele momento era desfigurado controle. Das operações imagéticas, prazerosas, confortáveis – precisava resignificar.Quem conta, aumenta. Quem canta, agüenta. Ele guiava, guion, guindava. Ela: Passageira.
Nasceu assim.Nem café. A boca secou, estomâgo doeu, respiração ofegou. Xícara vazia.Desforrou o bucho. Abusou das máscaras. Mas desculpa a Eva , ou o mito primitivo. A atrevida que dançara nos ventos, nem encena. Sobre maçãs e salivas e mordidas. Nem palavra.Tagarelices de personas e farsas. Diz:farsa ! E foi montada pelos cortes, narrativa: Passageira.
Em despejos, desculpas, dez mil culpas : falta de afeto e carinho. Mas, neutra nem vivencia. Se insípida, recusa projetar. Tudo menos desencanto. Se era luz, cenários, sequencias, apetrechos,já não tarda prover. Rebulina, rebobina. Em sonho, ele sai das matas, braços de carícias, abraço devido. Ao manipular: Passageira.
Nenhuma brincadeira que o valha. Nem samba, nem roda, nem jogo. E na integridade das ações,apenas prematuridade dos acasos. Devaneios de amor. E cada escolha se injustifica. Mas ele é desconcerto, demasiado de primores. Extravagância se materializar. Senão, absolutamente necessário. A presença inevitável, inelutável, fatal... de apelos e apuros. Espelhos, diz espelho: Passageira !
Edi fícios, ponteiros urgem, avenida surje, na maior das selvas de humanidades das nossas fronteiras. “Este samba é pra você meu amor, que me fez..” toca o rádio, ela excita. Dobra a esquina, perde-se o caminho. Toca a próxima. “Amor meu grande amor não chegue na hora marcada”. A música inseria o desfecho suficiente, para corpos que não se realizam.
Parada, ponto final.Sem investidas excitantes. Pega a mala, excede estações, não hesita mais vôos: Passageira.
(foto Verger, maranhão , 1947)