mandinga

October 15, 2010

DÁ UM TROCADO ?

Filed under: NA AVENIDA — mandinga @ 7:13 am

Desperta, sem memória alguma de sono assim. Era estado da graça ao corpo. Devagarzinho pousa, rebobina as sensações, dá volta ao tempo. E voltas ao tempo são por imagensemoções. E de algum modo causa a incerta sobre o que é real, ou não. Volta ao tempo é filme. Mas, apura e certa da verdade: viveu o amor ! Passou horas da mais bela e imprescindível vivência. Foi numa quarta, noite, tempo que sacava o tempo, pela quarta. Por algumas horas, o amor. E ali avulsa sobre os lençóis ainda vibra na sagrada força. O co-autor sequer deixa rastros, como veio, foi… vento. Fartura de belezas e do indizível. Uma hora chega, Uma hora faz, Uma hora cansa, Uma hora passa, Uma hora vai. Retoma cada segundo, cada coincidência, cada riso. Muitas notas que compôs do que escapa ao roteiro. Lambuza.

Luas depois… cheia, numa quarta, vem de lá o co – autor, ao alcance ! Sentia mais coração que o resto. Do corpo até cheiro, toque e língua… ah ! a língua de tão sabida encontrava a outra numa dança divina. E era mel, aos favos de essências. Desde o encontro: versos de paixão eram como saliva, natural e constante. E todas as músicas de amor eram dele e gaguejava quando o catucava na prosa virtual. Gaguejar virtualmente era algo novo, experiência vivida. É assim o tempo do amor. Vivências em vísceras… marina tudo… e se reconhece pelo peito. Como a um outro, um amigo, um parente se reconhece pelo tempo /espaço compartilhado. No encontro de amor se reconhece pelo que se tem no peito.

Fato é que presente ali estava. Ter co-autor desta festa de sentidos ao alcance, tornava aquela “a” quarta. Preparou tudo, do espaço ao tempo. Pediu forças para usar as palavras certas. Arranjou aqui e ali, mas… as palavras teimam a trocar. As notas, o ritmo. Trocou as palavras.E pra fechar quando queria ter dito o sim, mais sim, da vida… teve que dizer: não. Trocou. Mas, teve. Não! Dor. E assim saiu desafinada a noite mais esperada de uma existência. Dissolveu o desfecho. Banhou, refogou, dorou… mas o coração ainda batia. Ai, pôs de molho. Passado. E tome uma dose de coragem, pra trocar as horas. Dó por sol.

Sol Maior. Calorão no centro e lá vai atrás de troco.Trocar. Ou, possíveis. Chama olhador, flanelinha, carroceiro, da rua o morador. Ei moço, dá um trocado ? Troca ? 200, 100, 50. Uia, quanto trocado! Além da satisfação da quantidade de moedas – que lhe facilita um bocado a labuta de ter que sempre dá o troco pra clientela – era muito prazeroso trocar dinheiro. Revolve esse prazer… Causa- de- que era boa aquela experiência ? Dai o sopro: trocava o papel. Ela quem precisa da brodagem. De inverter essa ordem. Social, econômica, subjetiva. In verso. Assim, trocar as notas, ou buscar o trocado era uma experiência encantadora.De inversão, de imersão em outras realidades, de mais experiência vivida. Dá – lhe trocado !

E num é que quase noite, do alto da rodoviária, torre a frente , esplanada por trás, com bola-lua de fogo pra nascer, mais seu Joaquim trocando as pratas, trocando a prosa… telefone toca. E notícia era de que conseguiu a permissão pra voltar a trabalhar, pra reabrir o bar-vida. Ela chora, agradece aos céus, vibra. Abraça seu Joaquim. E foi uma troca de chover, dançar e chorar. Ele por anos sem um abraço sincero. Ela pelo fim da batalha. Chove prata. A água leva. Troca e lava. Ele pergunta: ganhou na loteria, filha ? Quase…ou os sonhos não envelhecem. Esse sim é jogo pra ganhar: sonhos.

E sonhos não cabem nas urnas. O tempo era de eleger nas urnas. De escolhas, de políticos. Eleger… político: tai bicho danado pra trocar. Trocam muito bem os valores.Trocam muitos favores. Trocam muitos bens. Quando pede pelos impostos não representa, cobra. Quando deve direito, representa, recusa e ainda acusa. Assistindo um vampirão danado querer representar todas, de todo país, de muitas verdades, cantos, desejos, crenças,vontades. O danado quer se eleger em nome de mandar no ventre… de todas ??! Troca tudo ! Silencia sobre o necessário. E fala demais sobre negar a escolha, a saúde, a vida. Acusa e impõe. Troca quem é o autor do crime. Tai sua proposta de eleição: trocar o vivo, o possível, o necessário, a chance… pelo crime, pela dor, pela morte.Trocar ventre pelo voto. Experiência vivida.vertigem. Ai não. Não é não !

Do tempo de eleição, tinha carreira. Corria pra aliviar as verdades. Era direta, nada representativa. Trocava a fonte, descarregava o disco, mudava estação… primavera. Foi ao encontro de quem tocava. Parou. Recebeu o chamado algumas quartas. Da mais esplendida, da que sem encosto, encantava por completa. Permitiu e deu tempo: trocou algumas horas pelo caminho do canto. Descobriu o vento como idioma. A voz é pertencimento, pralém de instrumento. Trocou. Daquele encontro a Terra tomou nota e fôlego. Resolveu expirar, pra trocar. Terremoto ! Dali com a terra manifestando, a celebração partiu.

Coração reativou, afinal distância, medo, ciúmes, jogos não se pode trocar pelo amor. Amar é reconhecer a si mesma. Encanto.E a vida: compasso. E em cada encruza, em cada esquina, em cada sinal… dá um trocado.

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