mandinga

Mel o dia ! ...Ou a lenda do Curumin que criolou na Brasilia

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 05:54

30.04.09

                   Estava eu de virada temerosa pelo feriadão das asas do plano piloto. Pouca opção diversiva a vista. Era melhor parcelar as idéias e contar com a boa e velha trupe  Criolina, que prometia botar Curumin ao alcance dos olhos e ouvidos. Encantava-se por ai que o rapaz  viria para salvar a ausência de festejos.Feliz da vida ia dedetizar a Casa. Foi quando Barata me chama para anunciar que o baile havia fracassado.

Sina cruel ! Lancei mão da última cartada, aos 48 do segundo tempo:  vamos fazer aqui no subsolo, no quintal de casa? Colou.  Gol ! E Barata voou e pousou já com três cavalheiros ! Era Curumin ! E encheram o bucho com meu feijão ! Alimentar  o guerreiro e seus trutas de batalha... muito prazer!  Rio ! Incrivelanças a solta, até o circo veio ao povo, com  risos e fogo. E tudo era rio,  até as horas da tal noite encantada.

O mesmo  que me levava na garupa, da invocada, magrelinha, com par de brincos preu brincar todos os dias. O mesmo que fez do  samba  outro,  e despertou a querência de musicar o cotidiano.Aquele com quem meus goles rimavam com gracejos e rebeldias, que mostrava que era possível fazer um samba em homenagem a luta de ser plena num sistema tão injusto.E ainda deliciar meus finos e compactos. No balcão !

No último show que ele fez em nossa quebra, centro político desse país de desvios, lançou mão de “um se gritar pega ladrão !” Porque sim, estamos no olho do furacão de práticas  fuleras  pra governar milhões de mentes e corações que sambam. Estrondou ! E esse mesmo aventureiro abre alas com um negro drama, ou a real dos fatos...Bailemos !

E o baile refogava esse acorde do faça você mesma ( punk!) – feijão, samba e revolução, com muito prazer obrigada! - tinha rimado com a popularidade de amar, de amar de verdade, que só o velho e bom brega traduz. E lá vem o danado passar um “preta fala pra mim”! Freqüência e sintonia  arranjadas. Bora transmitir !

Num tardou e o bar lotou. O povo brindou. Erupção e fervos, subsolo caliente de malemolejo... E era o trio emponderando os sentidos. Há pito ! Começa o jogo  e gente da melhor em campo, quintal esfumaçando pra conferir o brinquedo.Dou-lhe uma , dou-lhe duas e ... CAI A LUZ ! E agora Niemai ? Acuda mãe ! Sem energia, impossível  amplificar, tocar, cantar ! Mesmo assim o catiço permanece na bateria ,no improviso. Soma-se  Luciano de Sá  artilheiro no atendimento da Casa.Daí foi reggae-nus  até as gambiarras darem... LUZ !

Retoma-se a brincadeira. Abre-se  avenida que Curumin luminoso vai baixar. E de improviso foi a receita, frees  e  styles! “ Platéia”, equipe, músicos era uma folia só! Ruuules !  Temperamos umas trilhas e levamos ao forno muitas notas. Arranjos vem e vão  quando...  lá está curumin entregando que tem o coração maior do mundo! O moço chama Luciano – o que brincou o improviso – de volta ao palco, pra fora do balcão, e de atendente do bar, passa a manejar as baquetas.Go ! E bailou-se a caixa preta. Saboreamos  um prato cheio de humildade crua e viva. Cabulosamente saboroso yo yo  !!!!!

O subterrâneo  da  capital da república,  nessa noite, celebrou dissonância de derrubar  a babilônia. Agora é repetir a receita... de feriado, de dia do trabalho. Curumin:aos paes nossos de cada dia ! A esperança é a última que morre. Somos só gratidão ! E reza a lenda que foi um curumin quem inventou a receita de como (r) existir  no centro do olho do furacão... E dizem que milhares de emails correram pelo planalto central. E a moçada ainda se lambusa de samba. Saravá Curumin !



 


Pierrot e Colombina

PERSONAGENS — Posted by mandinga @ 23:11

       Vida litorânea de 10 dias.Margem de tempo entre oceano e terra.Vida interior é ar e fogo. Promessa de complemento. De externo o frevo rasgado e a maior festa do mundo. Pó – pular, regrava alma. De subconscientes muitas ondas. Apito. Mergulhos de saberes e desejos. Remoções. Divide por dois. Duas, três, dou-lhe. Magia.  Descobertas de  acender  e levantar  velas , e fazer  chuva ensolarar  praias. E se o último cochilo fosse a melhor lembrança de vôo e nuvens de pipocas enchessem a pança ,talvez Pierrot tivesse outra avenida. Passou.

E rio que corre sabe onde vão as águas. Sejam dos sete buracos da cabeça, sejam  dos dois dos fundos. As águas vão rolar. E aqui começa o samba, enredo.

A fome de voltar fez Pierrot e Colombina  darem ar, das graças, que batem. Repicam e ressonam. Compartilharam umidades e calores.  Colombina compunha gotas nas teclas. Estudou para ser arteira, vislumbrava cores e movimentos. Pierrot  era normal. Ativo. Balconista. Noturno. Sonhador. Sem tempo.Pançudo. Há anos marcaram salivas e carícias. De tanta marca, Colombina motivada pelo desconhecido resolvera certa vez imaginar versão para encerrar os gracejos entre ambos.  

Uma graça cabeluda e Pierrot caiu no humor e molhado de riso levou horas intrigado. Causo ou,não causo. Fato é que Colombina confundia e brincava. Fantasiosa sempre. E Pierrot descontrolou nos ponteiros até desmascarar Colombina.Sim, era múltipla. Mas jamais assumira sua diversa demanda dos desejos. E  descontava em caprichos. De beber e comer. Enchia. O causo era que dizia amar somente Colombinas. E Pierrot ? E sua máscara ? Cairam.

O luminoso coração do peito segurou -o. E os ponteiros trabalharam. Até que alguns carnavais depois , Colombina desfilava em frente ao balcão. Pierrot não lhe trazia mágoas, apenas risos. Colombina sempre sedutora. Pierrot enfim soteirou-se. E resolveu  em fatídica alegoria  permitir  proximidade. Colombina cantava novos sambas. Anunciava outro carnaval. Permitia mais beleza e alegria. Dançou palavras de lealdade e companheirismo inimagináveis para sua evolução, harmonia e conjunto. Pierrot  desconfiava, mas era de encher os olhos a promessa de um desfecho feliz. Uma quarta-feira de glória. Colombina resolvida a sambar  no mesmo compasso pelo que houvesse de bom e belo.

Assim Pierrot entregou-lhe a folia. Deu-lhe coração e carnaval. Do bom e do melhor. E a agremiação para ele estava formada. E seu tempo foi todo para o desfile. Resolveu mesmo se jogar. Tanto que acabou carcaça e secreções. Na embriaguez da ingenuidade genuína com Colombina se lançaram ao povo, aos beijos e abraços. Diversão e alegria. Passado o êxtase, Colombina reforça que Pierrot é apenas, um apenas. O que queria mesmo eram outras duas companhias, que lhe reforçassem Colombina. E Pierrot paralisado e de peito doido e olhos marejados, pensou em toda agremiação e dedicação. Teriam sido em vão? Insaciável, Colombina dispersava o povo que Pierrot adorava cantar e encantar. Era só capricho e espelho. Só dor. Duro não dançava, molejo e requebros, não sentia.

Nova alegoria e Pierrot  escolheu cantar suas dores, afinal, carnaval é recomeço. Tempo de se desfazer de dores.  E imaginou que Colombina  seria parceira nas horas  de expurgar a violência cotidiana que Pierrot  e todos de seu gênero sofrem, por ...serem Pierrot. Colombina que há horas tinha o corpo nada recreativo devido a dores e secreções  indignou-se.  Mesmo tendo sido Pierrot o melhor possível com as dores de Colombina. Cuidado e afeto. Das dores de Pierrot ela desdenhava e abandonava a bateria. Silêncio e lágrimas.

Aterrizaram. Pierrot descobriu possível vida pra além do desfile. Novo Pierrot ou nova Colombina, chegaria do ventre. Desespero. Depois de ter-lhe roubado a folia ! O desfecho dorido amplificava. Pierrot  sabia que a fome de  Colombina  era ser carnavalesca.   E se o bucho crescesse Colombina lhe furtaria todos os carnavais restantes. Sem direito a confetes ou serpentinas. Silêncio. Colombina apenas propôs nova fantasia. Cantou mais palavras e quase renovou o samba e o compasso. Mas, Pierrot já tinha perdido o Carnaval. E tinha que esvaziar o bucho. Resolveu pedir ajuda aquela que havia cruzado a avenida com ele. Mas, Colombina sabia exatamente os caprichos, motivações e enredos de seu trajeto. E resolveu jogar Pierrot fora do cordão.

Na manhã seguinte sem folia, procurou saber do bucho. Encaminhou-se ao desentupimento. Colombina jamais ficaria com bucho cheio e como não compreendia dessa coisa de bucho e de vida, tratou de caprichar em ser campeã. Sabia que o bucho só enchia devido a seu feitio. Mas como jamais carregaria esse estandarte, era comum ignorar que o havia feito. Vencedora almejava fama e muitos Pierrots a lhe cortejarem. Pierrot gostava mesmo era da brincadeira, sem vencedora ou perdedora. Gostava da folia. Por sorte e milagre e tudo de mais sagrado que há, Pierrot não tinha o que desentupir ! Descobriu sobre os raios do sol.

Colombina fez questão de se manter passiva, insossa, insípida, insalubre. Contrariada em seus caprichos  e insaciável em seu espelho. Entoa que Pierrot é uma ilusão. Insana.Uma farsa diante das suas idealizações.  Não cumpriu as expectativas. E nem terminaram a avenida. Desfilaram o desfecho de maledicências e  poeiras. Pierrot que tem valor e só quer alegria e brincadeira, levanta poeira e dá volta por cima. Agora reconhece a queda e anima, flui entre Pierrots.Vida Plena. E Colombina...  nem samba. Nem alas.

                           *                                   *                                *

Escondidos pelos íntimos inconscientes das águas hora doces, ora salgadas. Ora do céu, Ora da Terra. Estão tesouros . Caem lágrimas pela fome de voltar ao normal. Cair é transcender raridades.

                 *                            *                                *                          *

Ou... a breve lenda de como Colombinas e Pierrots viraram raridades no carnaval.


Racismo aqui e acolá, na escola Waldorf não vamos mais ficar ...

ALEGORIAS MANIFESTANTES — Posted by mandinga @ 07:04

Saravá, minha gente !

             Hoje participamos da palestra Fundamentos e Aplicações da Pedagogia Waldorf, na Escola Moara, aqui em Brasília. Não nos surpreendemos em, mais uma vez, não obtermos uma resposta que escape do plano metafísico sobre mecanismos disciplinares utilizados pelas professoras e os castigos aos quais nosso filho é submetido na escola, muitos destes sequer somos informados.Bem como, mais uma vez, nos foi dada uma resposta metafísica sobre o fato de muitas crianças não terem lugar de fala garantido no cotidiano escolar, quando relatam, por exemplo, o desagrado com o corpo docente, ou a rotina escolar.

             Agora o que mais nos surpreendeu, na ocasião, foi a absoluta ausência de ações para  implementação da lei 11.645/08 na perspectiva pedagógica da Moara (a referida Lei  prevê a inclusão de conteúdo afrobrasileiro  e indígena nos currículos escolares) . Tal fato, confirmou  conjunto de ações que presenciamos em prol da  omissão e  censura  na  criação de um processo  coletivo  que aborde este tema. O que significa uma irresponsabilidade da comunidade escolar,para com a luta contra o racismo.

              Camuflada  no tecido social ao qual se insere a comunidade da Moara, a prática  do racismo, sempre foi para  nossa família uma das formas mais cruéis de humilhação  da existência humana. E  a luta para que esta forma de violência, na maioria das vezes sutil e imperceptível, não se perpetue em nossa sociedade é prática cotidiana em nossas  vidas. Portanto, esta Lei pela qual lutamos é de fundamental importância tanto para nossa família, quanto para sociedade que buscamos construir.   

               Antes de entrarmos na escola, já sabíamos do fato das crianças, até certa idade , não utilizarem preto enquanto desenham, pois o Preto é a ausência de cor na perspectiva antroposófica. Mesmo assim, resolvemos fazer parte da comunidade Moara, depois de insistirmos que  a depreciação da diversidade racial e cultural brasileira é incabível em nosso cotidiano e de ter –nos sido garantido o respeito a nossa prática de vida muito ligada as nossas  raízes afrobrasileiras e indígenas, a qual nos orgulhamos muito.

               Em 2007,  tomamos conhecimento de que em uma outra palestra uma professora afirmou que não havia conteúdo indígena porque na Moara eles só ensinavam conteúdo de povos evoluídos. O fato  nos indignou, tamanha a  demonstração de ignorância para com as centenas de povos que formam  o povo brasileiro. E muitos dos quais vivenciaram na prática  valores matriarcais, horizontais e de autogestão.

               Valores estes que são transformados em conceitos e alienados dentro da Escola Moara, que por exemplo, prega o consenso em suas instâncias, mas esquece que o mesmo deve ser construído e não imposto. Justamente, neste ponto é que a Escola é  um simulacro: ao negar o contexto social ao qual se insere e dissimular sobre seus reais desafios para com sua comunidade. Pois, todo processo comunitário  requer construção e sem comunicação e responsabilidade para o bem comum, pouco se constrói.

                  Hoje, infelizmente, presenciamos mais um episódio nesse sentido na Escola Moara. Não bastasse ser um episódio racista, portanto criminoso, foi também mais uma oportunidade de garantir a fala de quem já tem o lugar de fala garantido (reforçando autoritarismo) e de claro simulacro de prática dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade tão citados pela tal filosofia antroposófica.Pois, acompanhamos recentemente, em nossa turma, a saída cruel de dois meninos, por falta exatamente de mais fraternidade, igualdade e liberdade na referida comunidade. Após a explanação das palestrantes, quando fiz perguntas objetivas sobre o cotidiano escolar, tais como as medidas disciplinares aplicadas, o lugar de fala das crianças e a implementação da Lei 11.645,  fui em um tom de voz arrogante, convidada a mudar para a pedagogia construtivista, pelo Dr. Paulo Tavares.

                    Como naquela manhã de sábado resolvi me dedicar a entender a pedagogia Waldorf insisti em  construir um espaço qualificado de debate sobre a tal perspectiva que nossa família estava inserida e ajudando a dar vida.Reforcei que não estava ali para debater o construtivismo e sim a pedagogia Waldorf. Quando questionei sobre o ensino do conteúdo afrobrasileiro e indígena na escola (que reforçamos, não é uma opção da Moara,mas sim,uma Lei, um dever, uma obrigação) nos foi dada a seguinte resposta pela professora palestrante :

                  "No primeiro ano contamos apenas contos de fadas, no segundo ano contamos historinhas sobre passar a perna no outro, estas coisas mais maliciosas..., no terceiro ano começamos com as histórias dos bichos, no quarto introduzimos  as histórias dos monstros e a partir do quinto ano é que contamos as histórias dos negros "

                 Fiquei bastante intrigada com esta escala de valores.E recebi a seguinte resposta: é que até esta fase a criança só pode receber o que é Belo. Ou seja, mais uma vez, a depreciação à cultura indígena e afrobrasileira é socialmente difundida e reforçada na escola. Pois, toda infinita diversidade e possibilidade de conteúdo da nossa cultura é considerada desprovida de beleza  compatível com  a praticada na Escola Moara. (Aqui cabe um parêntese, não falaremos da pedagogia Waldorf, mas da experiência prática que vivenciamos)

                  Portanto, gostaríamos de reforçar que racismo é crime. E  não compactuamos, com o fato de em 2008, estes resquícios da subjetividade paternalista colonizadora européia que - subjulga a beleza e força da nossa raiz racial e cultural - estarem vivos e legitimados, disfarçados de proposta pedagógica.

                    Em determinada parte do debate fomos surpreendidos  com mais uma frase do Dr. Paulo Tavres: “é por isso que essa pedagogia não é pra vocês”. Finalmente um consenso, ainda que imposto, e portanto ilegítimo. Nos desligamos da escola Moara com São Benedito em nossos corações.E  na responsabilidade de impedir que este tipo de prática se perpetue disfarçada de pedagogia alternativa. Aliás, justificativas metafísicas para garantirem práticas racista no contexto escolar, me remetem ao tempo em que os povos africanos e indígenas eram escravizados perante a justificativa de que esta seria a salvação de suas almas...

                Enfim, muitas questões para refletirmos e nos posicionarmos.

Aquele abraço,

Juliana, Bruno e João Pedro

 


CINE ROSARINHO VICE VERSA

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 17:38

 

ONTEM PARTICIPEI DA MINHA PRIMEIRA SESSÃO DO CINE ROSARINHO.ASSISTIMOS AO FILME BUENOS AIRES - VICE VERSA, DE ALEJANDRO AGRESTI. ACORDEI NOSTÁLGICA E ÓRFã... O FILME TEM SOLUÇÕES ESTÉTICAS FABULOSAS PARA FALAR DAS VÍTIMAS DA DITADURA E DAS SUAS CONSEQUENCIAS, OU AS CRISES INDIVIDUAIS E COLETIVAS. MINHA CONDIÇAO FEMININA APONTOU. ACHEI DEMASIADA A CONSTRUÇAO DAS PERSONAGENS FEMININAS COMO SUB... HUMANAS DESPROVIDAS DAS FORÇAS QUE SABEMOS TER AS MULHERES ARGENTINAS. AINDA QUE ESTE FOSSE O CONTEXTO DA NARRATIVA, QUE SE PROPUNHA A DISSECAR AS  VÁRIAS MAZELAS HUMANAS APÓS A DITADURA,  ME INCOMODOU  BASTANTE A MANEIRA  COMO  AS  PERSONAGENS FEMININAS ERAM DESPROVIDAS DE  SE REALIZAR,EXPLICITAMENTE DELIMITADAS EM SUAS PERSPECTIVAS.ORA TRAVESTIDAS DE INSANIDADES,OUTRORA VÍTIMAS DE MÚLTIPLAS FORMAS DE VIOLÊNCIA. ENTÃO, MEU CORAÇÃO LANÇOU-ME UM DESAFIO... E SE MEUS INCÔMODOS FOREM SUBSTRATOS QUE REFORÇAM MEU IMAGINÁRIO ? E ASSIM CONSTROI UMA BASE SUBJETIVA PARA QUE EU PERMANEÇA NESSA CONDIÇÃO ? MEU CORAÇÃO CLAMA: AO CONTRA-IMÁGINÁRIO ... OU O COMBATE DA DITADURA ATUAL E COTIDIANA ! VIVAS: MULHERES !


Palavras de Moara

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 18:05


MEU CORPO É A CASA DA CALOROSA VONTADE

EM MINHA ALMA  MORAM SENTIMENTOS QUE A INVADEM

SEM MESMO QUE EU PERCEBA E VIAJAM PARA O MUNDO DE TODA MANEIRA

A CRIAÇÃO HABITA A CASA INVISÍVEL ENTRE O CORAÇÃO E AS MÃOS

MINHAS MÃOS HABILIDOSAS COM AMOR SE MOVIMENTAM

E DEVOLVEM AO MUNDO FORMAS, SONS E CORES RENASCIDAS DE MIM

  

(escrito pelas crianças do turno da manhã da Moara | Foto do ovo cor de rosa que atacou a sede de alguns periódicos italianos contra  ingerência midiática do Vaticano)

 


Ladja, El mani, Capoeira = reverberações do N'golo da África Banto

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 02:04

PASSAGEIRA

PERSONAGENS — Posted by mandinga @ 23:19

 

desconcerta

 1:30 . Fez o corre. Percurso, por conta de fazer uma conexão  entre transmissor e antena, num triz já era ansiedade. 50m de cabo. Passou dias e noites fantasiando o trajeto, coerência mente e coração,  e agora já rodava. Não mais assistia, protagonizava.Fantasiar, fabular : momentos, pessoas, desejos – uma consciência  tangente, de transmissora (ela subjetiva) e receptora (ela sujeita).

Imprevisibilidade de movimentos, desforra o enredo. Sabe, sabida do valor de cada estação, e naquele momento era desfigurado  controle. Das operações imagéticas, prazerosas, confortáveis – precisava resignificar.Quem conta, aumenta. Quem canta, agüenta. Ele guiava, guion, guindava. Ela: Passageira.

Nasceu assim.Nem café. A boca secou, estomâgo doeu, respiração ofegou. Xícara vazia.Desforrou o bucho. Abusou das máscaras. Mas desculpa a Eva , ou o mito primitivo. A atrevida que dançara nos ventos, nem encena. Sobre maçãs e salivas e mordidas. Nem palavra.Tagarelices de personas e farsas. Diz:farsa !  E foi montada pelos cortes, narrativa: Passageira.

Em despejos, desculpas, dez mil culpas : falta de afeto e carinho. Mas, neutra nem vivencia. Se  insípida, recusa projetar. Tudo menos desencanto. Se era luz, cenários, sequencias, apetrechos,já não tarda prover. Rebulina, rebobina. Em sonho, ele sai das matas, braços de carícias, abraço devido. Ao manipular: Passageira.

Nenhuma brincadeira que o valha. Nem samba, nem roda, nem jogo. E na integridade das ações,apenas prematuridade dos acasos. Devaneios de amor.  E cada escolha se injustifica. Mas ele é desconcerto, demasiado de primores. Extravagância se materializar. Senão, absolutamente necessário. A presença  inevitável, inelutável, fatal... de apelos e apuros. Espelhos, diz espelho: Passageira !

Edi fícios, ponteiros urgem, avenida surje, na maior das selvas de humanidades das nossas fronteiras. “Este samba é pra você meu amor, que me fez..” toca o rádio, ela excita. Dobra a esquina, perde-se o caminho. Toca a próxima. “Amor meu grande amor não chegue na hora marcada”. A música inseria o desfecho suficiente, para  corpos que não se realizam.

 Parada, ponto final.Sem investidas excitantes. Pega a mala, excede estações, não hesita mais vôos: Passageira. 


(foto Verger, maranhão , 1947) 

Passageira

 

 


Vai me calar ? Eu arredo minha antena !

ALEGORIAS MANIFESTANTES — Posted by mandinga @ 21:36

 

Transcantos da mandinga ao parceiro dragão. Ou, o dia em que eu e a Radiola FM resistimos aos representantes dos capitalismos uniceubianos e nossa liberdade de consentida, passou a conquistada!

 


Dia 23 de abril, dia de mandinga ! Festa na Terra pro guerreiro vencedor das demandas. Era ele em sintonia, era meu mano, meu santo, mano era eu. Uma chamada: ouvinte e programadora saravando ! Os ventos sopraram, vieram me avisar: "abri os ói, buraco véi tem cobra dentro". Mas se cobra me morde meu veneno é mais forte... tenho sete espadas pra me defender. Cada um dos meus 250 mil óvulos, a grande célula, feitos antes d'eu nascer, são liberados de tempos em tempos: uma força !

Me arrefiz de minha história. Geri e pari em 102,7 FM.É um sentido de pertencimento a este mundo e constelações de vozes desde o ventre. Me fiz Radiola, nuns cantos livres ! Mas diziam de três saúvas que eu tomasse temência: ANATEL (cruzes ! nomão abestalhado véi !), POLICIA FEDERAL (égua ! palavrão fei da peste)e a Reitoria (urgh ! troço peçonhento da gota).
Por isso, sempre preparava umas esquivas e queimava vez em quando umas brasinha, que era pra ver se mantinha as pragas acolá. E assim era noite de encantos na mesa operando, e era formosa de carne-e-osso, na roda dos planos de manas toda virada da lua. Era de dentro, era de fora: voluntária!
 
E no plural um varal: cada célula um programa, uma história. Um causo - causa: meu coração pulsa sem $ifrão.Vieram me chamar pra roda, eu saindo de Aruanda me acomodei livremente e segura. Mas logo percebi uma sarninha. É que eu tinha um parceiro, daqueles que troca as cousas. Trocava P2 por RCA e eu alertando : isso não encaixa, isso silencia, isso é bestagem...Daí deu preguiça e assuntei o parceiro:ei, me deixe seguir livre ?
 
Eu tive que perguntar porque quanto mais o tempo passava , mais meu parceiro se punha a me usar. "É um trocado que eu careço de ganhar", ele entoava. "Se assossegue parceiro", eu tratava de acalmar: "desse mundo eu já pertenço e trocado quero negar !" Porque já era formosa livre de carne e osso ! E ele retrucava: "não sabes se organizar !" E assim o tempo passava nessa granguena !
 
Mesmo vindo ao mundo torta, eu já tinha asas pra voar. Sim ! Nasci da costela do meu parceiro, pra mó dele ganhar uns tostão, mas num demorô e minhas asas apontaram. E virei muitas, tantas vozes e donas, que meu parceiro resolveu me livrar. E assim deixou batizar: livre ! Ele consentia , me apropriei da ventania e me lancei nas ondas do ar !
 
De vez em quando, me alembrava das saúvas e meu parceiro a me espiar... Mas o mundo volta deu e o parceiro perdeu fé nas saúva e foi-se providenciar, porque daquela liberdade farturada começou a incomodar. Aí principiou a sarnar, disse pra eu falar o que ele queria. Eu lancei umas esquivas que guardava pras saúvas. Ele se enfesou e nomeou alguém pra me coordenar. Ai, ai, ai ! Isso era um derrame nas minhas transmissões, meu coração bate porque sou autogerida e autônoma !
Daí, tive que soltar uma esquiva bem certeira, porque essa do coordenador foi braba ! E o parceiro ficou bem parecido com saúva, um reprodutor delas ! Avisei que ia saltar de banda daquelas prosas e as máscaras do meu parceiro foram caindo. Era abobado e vazio, uma barreira pras minhas ondas. Foi aí que mandei: "sai pra lá com sua bocona de mandos e desmandos" !
 
E o $ifrão caiu na rede. E o parceiro-bicho-desmascarado se enfesou de vez !
Quis logo me rebatizar, mas eu já formosa-livre... então livre era ! E ele se enfurecera sem controle e aos sete ventos me excomungou. E eu ? Eu na Aruanda, saravando, preenchendo a existência, noutras conexão ! Meu parceiro veio na roda e trouxe dragão presidente (cruzes nomão feio !)e ainda trouxe dragão promoter (égua bicho cheio de $ifrão), e eram 3 de cada espécie.
 
E lá estava eu na demanda ! Minhas vozes e corações pulsavam no ventre. Era uma ciranda rádiogerida.Eu transmito ! Eu movo ! Eu inspiro ! E meu parceiro ? No apagão... aéreo. Arre, tô fora do apagão! No mesmo dia dessa roda, as saúvas tinham comprado umas páginas nos jornais pra dizer que o apagão vem da minha transmissão ! Diacho ! Quer bicho mais enganador que saúva com jornal ? Uma peste, mundo confuso...
 
Eu ? Veredas ! Apagão deixava pros $ifrão. Corria nos ventos, nas estradas, sintonias. Ah ! conquistei ! Conquista de frequência, num era mais consentida. E de liberdade meu seio jorrava e tinha era gente se lambusando e mamando, numa festa arretada de boa !Quer saber, acho que essa foi a causa-causo que fez meu parceiro levar os dragão pra roda !
E bichão presidente (arre!) cuspiu logo fogo: "se feche dessa liberdade, seu parceiro é dono que manda" ! Bichão promoter (vixe) deu outra cusparada medonha: "a sinhora está fora ! Está expulsa" ! Agora eu ali... vinda de aruanda, com parceiro e os dragões em nome do $ifrão, a me atacar !Abri logo o microfone: isso é golpe !!!
 
E espanta-mor-d'eu-compreender: num era golpe das saúvas não ! Era golpe do meu parceiro !! Tinha perdido a cabeça por causa do $ifrão ! Mas me calar ? Isso ele não ia não ! Resolvi falar a língua dos dragão (era voluntariamente vetado esse idioma em nossas rodas). Mas na hora que as máscaras do parceiro caíram, pensei que essa fosse a solução. Afinal, eles nunca iam nas rodas e não sabiam o radiolês.
 
Logo depois das cusparada dos dragão, eu disse pra um dos dragão presidente:" vai tomar no ..." - que traduzindo pro radiolês: larga mão de bestagem, aqui ninguém manda, é coletivo !Aí peguei o dragão promoter que vinha de lá com as brasas-gosmeira:"seu filho da ..." - que traduzindo pro radiolês: entra quem quiser entrar, vem moça e minino e tudo que quiser jogar !
 
Mas aí os dragão e o parceiro viraram um bichão maldoso ! E eu percebi que a língua dos dragão só fazia a roda virar coisa de promoter-presidente. Daí voltei pro radiolês. Aí o parceiro disse que nossa relação era uma caracu. Eu já ia achando aquilo de cerveja preta bonit..., quando ele começou a chicotear $ifrão, cartilha, linha.Eu bamba só sabia da ginga-curva e disse que na linha do parceiro eu não seguia.
E a coletiva na ativa vibrando. O parceiro gritou:"já tinham me avisado, quando saiste da costela que você ia me dar trabalho, minha inimiga !" Daí que os dragões danaram a soltar as labaredas: "tá expulsa, uma advertência pra danada, bora chamar a segurança pra bicha ..." Jacaré se queimou ? Nem eu !
 
O coletivo virou um escudo e cada voz amansava dragão e dragão foi mansando e ficando zonzo... e eu livrona ! Me dolori pra valer quando parceiro fez uma das vozes moça chorar com suas bestagens ! Aí ele disse que não me queria mais, e eu disse que por mim ele deveria era procurar outra estação, são tantas pra ele ganhar uns $ifrão ! Aí ele fechou a roda, supondo que eu voltasse de novo pra sala dele. Com medo das saúvas me pegar...
Mas eu tava danada de livre e as vozes que eram escudo e espada e coletivo disseram que essa causa-causo de linha e $ifrão era coisa de outra estação. Pois eu cada vez mais danada de livre pensei que parceiro machão é coisa de outra estação ! Sintonizei minha freqüencia e deixei fluir a operação... vou por umas luas ficar virtual.
Foi assim que subi no cavalo branco do santo-mano, vencendo os dragão ! E o parceiro quando tomou apreço da sala viu que eu era livre,livrona.Num era brinquedo dele não ! E as vozes, os coletivos, as autogestão tão paridos, amamentados e transmitindo em celebração !

BSB, 25 de abril de 2007

Ijexá é D`Oxum

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 20:39

Bem- vindA ! A este espaço de louvação das forças transitórias e permanentes

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 20:00

 que nos motivam, fortalecem, rebelam, aliviam e confortam... 

 ... ou a exaltação das ancestralidades africanas e caboclas que cativam o nosso cotidiano de cantos, sonhos, lutas, danças e tambores.Respondemos com cultos, lendas, brincadeiras, comidas - às centenas de anos em que os navios negreiros transportaram - através do Atlântico - não apenas o contigente de cativos/as destinados aos trabalhos de mineração, dos canaviais, das plantações de fumo localizadas no Novo Mundo, como também sua personalidade , sua maneira de ser e de se comportar, suas crenças. A extraordinária resistência oposta pelas religiões africanas às forças de alienação e de extermínio com que freqüentemente se defrontavam haveria  de surpreender a todos aqueles que tentavam justificar a  cruel instituição do tráfico como forma de salvar as almas dos/as africanos/as escravizados/as. E com esta mesma justificativa (de salvar almas) os povos indígenas também foram submetidos a crueldade da escravidão e violação de suas culturas e sabedorias. Este espaço pretende louvar a resistência dos batuques. Incentivar as ferramentas de luta pela liberdade e contra as injustiças socais.É um viva às experiências de libertação das nossas forças inconscientes, que num momento de transe, traz com o inexprimível o que há de mais belo e bom, poeticamente exteriorizado no decorrer de uma brilhante festa ...(Mandinga + Verger).


Capoeira

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 02:43
Capoeira de vida

Congratulations!

NA AVENIDA — Posted by mandinga @ 07:52
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